“There is nothing stronger than a broken woman who has rebuilt herself.”

Eu tinha em mente outro post para hoje, mas ontem assisti Nanette, o show de Hannah Gadsby. Quando me indicou, minha amiga disse que era muito impactante, mas eu não tinha noção do quanto.

Hannah é uma comediante Australiana. Sendo sincera, não a conhecia. O show dela é um stand-up, mas nem um pouco convencional. Ela começa com algumas piadas (não muito engraçadas, em minha opinião) e, no meio do espetáculo, rola um plot twist, que é o que faz do show o que ele é!

Se você ainda não assistiu, pare por aqui para não estragar a surpresa. Corra para assistir e depois volta para ler o resto do post! Importante: não se deixe enganar pelo início pouco engraçado, vá até o fim, vale a pena!

https://www.netflix.com/title/80233611

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– ATENÇÃO! CONTÉM SPOILER! –

Afinal, o que faz Nanette ser diferente dos demais shows de stand-up?

Acho que, em primeiro lugar, o fato de Hannah criticar a forma como os shows de stand-up usam a comédia. A crítica de Hannah se aplica a ela, que é lésbica e costuma fazer piada sobre isso, mas, em Nanette, ela diz que vai abandonar a comédia, pois não quer mais fazer piadas autodepreciativas. Ela está cansada de fazer piada sobre um assunto que, para ela, é tão difícil e já causou muito sofrimento. Em alguns momentos do show, quando ela fala sério, de forma nada cômica, sobre esse sofrimento, cria um silêncio constrangedor na plateia, sinal de que estão se conectando ao discurso.

E é esse o objetivo dela: criar conexões. Ela quer que o público compreenda o quão difícil é para “os diferentes” (termo usado por ela) viver em um mundo que não os aceita. Para você se conectar a alguém é preciso se colocar no lugar dessa pessoa, saber o que ela vive, e é essa a proposta de Hannah. Ela não quer ser vista como uma vítima, ela quer contar a sua história para se conectar, e é preciso muita coragem para fazer isso de forma tão aberta e exposta. A coragem e a intensidade com que ela conta a sua história tornam esse show tão forte, impactante e, acima de tudo, importante.

Algumas pessoas podem achar pesado, até difícil de assistir, mas independente do seu sentimento em relação ao show, acho que é impossível ficar indiferente a ele (é isso que causa o silêncio constrangedor que mencionei acima). Ele desperta reflexões importantes sobre como o nosso comportamento afeta diretamente a vida das outras pessoas, positiva e negativamente. Isso é muito sério! Nós somos responsáveis pelo impacto que causamos na vida dos outros, por isso é tão importante termos compaixão, empatia e, principalmente, respeito.

Quem tem filhos adolescentes deveria assistir com eles. É importante estimular essas reflexões, falar sobre temas difíceis. Ao ensinar nossos filhos a respeitarem as diferenças, sejam elas quais forem, serem empáticos, carinhosos e amorosos na relação com o próximo e com eles mesmos, estamos trabalhando para evitar que mais pessoas passem por todo o sofrimento que Hannah passou. E a atitude dela, ao compartilhar a sua história, também é de extrema importância para que as pessoas que passam por situação semelhante, sintam-se abraçadas e saibam que não estão sozinhas.

Conexão e representatividade. ♥

“Acho que podemos pintar um mundo melhor se aprendermos a vê-lo de todas as perspectivas, de quantas perspectivas forem possíveis. Porque a diversidade é força. A diferença é uma professora. Tenha medo da diferença e não aprenderá nada.”

Hannah Gadsby

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