O que ela quiser.

No último fim de semana levei a Julia para brincar no parquinho. Um menino mais velho, de uns 4 anos, começou a brincar perto dela e nos chamou para brincar de super-herói. Vamos, eu disse! Ele prontamente disse que seria o Homem Aranha, eu a Mulher Maravilha e ele (apontando para a Julia), o Batman. Eu o corrigi, disse que ela era menina, e ele olhou pra ela com curiosidade e disse: “Não é menina, não!”. Provavelmente porque ela estava vestindo um short preto e um body com listras vermelhas e brancas, estilo Wally.

Estou contando essa história porque isso me fez refletir sobre um tema muito mais amplo: os padrões que ainda impomos às crianças. A Julia ainda é carequinha e não gosta de usar laços (arranca todos, então respeitei e desisti de colocar), então se ela não estiver de rosa ou de florzinha, muitas pessoas acham que ela é menino. Principalmente quando ela usa meias ¾ iguais às da foto; acho que remetem ao meião de futebol. Já perdi a conta de quantas vezes elogiaram o meu bebê lindão.

A roupa e as brincadeiras são apenas a pontinha do iceberg. Quando falamos sobre educar nossos filhos, acho importante reconhecermos que vivemos em uma sociedade machista que ainda impõe padrões, físicos e comportamentais, às meninas. A separação entre meninas e meninos começa antes mesmo do nascimento, com o enxoval todo rosa ou todo azul, e segue com roupinhas e brinquedos para meninas e para meninos e vai muito além, com padrões que reforçam a força dos meninos e a fragilidade das meninas. A mídia, a sociedade e a família (às vezes sem perceber) nos ensinam desde pequenas que devemos agir como princesas, sonhar com o príncipe encantado e brincar de boneca e casinha. E não há problema algum em gostar de rosa e de princesas! A Julia pode gostar do que ela quiser. Eu acredito que o meu papel seja proporcionar a ela experiências enriquecedoras e lhe apresentar os mais diversos assuntos para que ela decida do que gosta ou não. Então, já que as princesas, as bonecas, o rosa, os ursinhos e o funk (haha) serão apresentados a ela pela vida, eu apresentarei os carrinhos, os esportes, os dragões e a guitarra.

Eu quero ensinar à minha filha, desde cedo, que ela pode ser e estar onde quiser. E para isso, acho muito importante ensinar que a opinião dela importa, que ela é única e pode gostar do que quiser. Ela é livre para fazer suas escolhas e eu estarei aqui para apoiá-la. Quero que ela seja feliz sendo quem é.

E em relação à brincadeira de super-herói, eu corrigi o menino dizendo que ela era uma menina, mas também disse que isso não a impedia de ser o Batman, afinal, ela pode ser o que ela quiser!

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